Proibido fotografar

“No photo”, ouvi algumas e incômodas vezes quando tentava fazer fotos na exposição de Martin Parr no Jeu de Paume (mesmo assim, consegui “roubar” algumas). A mesma coisa ocorreu no Museu de Arte Moderna de Paris, quando via a mostra de Cartier-Bresson. Neste, de maneira ainda mais injustificada, já que nas salas quase vazias nas quais estavam expostas as obras do acervo permanente do museu a fotografia era livremente permitida.

A proibição de fotografar em exposições de fotografia e em museus voltados especialmente para a fotografia, caso do Jeu de Paume, é injustificável. Me pergunto se essa proibição se deve a algum receio de que as obras posteriormente sejam reproduzidas, ampliadas e afixadas nas paredes dos felizes visitantes, que teriam conseguido, dessa forma, obter obras de arte de grandes fotógrafos por uma pechincha.

A fotografia revolucionou o panorama das artes justamente por seu potencial de reprodutibilidade, como demonstrou Walter Benjamin. Então, porque proibir que se fotografe dentro de exposições de fotografia? Porque tratar fotografias como obras de arte intocáveis e únicas, emparedadas e vigiadas? Mesmo o Louvre, exemplo clássico de museu por excelência, permite que seus visitantes façam fotos.

Alguns fotógrafos já exploraram a relação entre os museus e seus visitantes, caso de Elliott Erwitt e Thomas Struth. Imaginem se fossem proibidos de fotografar!

Museu do Louvre - Thomas Struth

Museu do Louvre - Thomas Struth

4 Comentários

  1. Antônio disse:

    preservação técnica da imagens inclui afastá-la de luminiscências, dentre as quais, luzes provenientes de flashes eletrônicos.
    além disto, a questão dos direitos autorais….. entre outras.

  2. Ronny Santos disse:

    como se não fosse possivel baixar qualquer imagem da net… quem fotografa, nesse caso, quer mostrar que lá esteve e isso acaba instigando outros a irem visitar e conhecer de perto as obras e o ambiente onde as mesmas estão.

  3. Erico Elias disse:

    Os direitos autorais continuam pertencendo ao autor da obra em qualquer caso. Quem se dará mal é aquele que tentar se apropriar da obra e se passar por autor ou tentar fazer algum uso comercial sem a anuência do autor. Isso é bem diferente de se permitir fazer fotos em museus. Aliás, se fosse esse o problema, não haveria livros de fotografia, dos quais se pode fazer reproduções livremente. Também, como bem observou Ronny, as imagens estão cada vez mais disponíveis na web… não há sentido em querer restringir a sua circulação.
    Não sei se no caso do papel fotográfico ou do papel fine art impresso com pigmento há possibilidade de diminuir a “preservação técnica” por conta de disparos de flash. Se for o caso, basta permitir a fotografia desde que feita sem flash, como já ocorre no Louvre, no Museu d’Orsay e no MoMA, para ficar em alguns exemplos.

  4. Erico disse tudo. Abomináveis proibições.

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